domingo, 23 de setembro de 2007

Vício de lama.

Maldita seja esta selva de pedra; selva que me impede de correr ou gritar que odeio. Bendita seja esta selva de pedra que me permite odiar, mas cala-me a boca para que eu pareça amar. Panos vermelhos caem do céu e me cobrem o cérebro. Maldita seja esta selva de pedra.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Possuo uma bolinha de gude que não funciona e um tênis que deixou de me suportar faz tempo. É estranho olhar para um objeto qualquer esperando alguma manifestação de sentimento. Eu poderia definir isso facilmente como solidão, mas não gosto das coisas tão fáceis assim. Talvez seja apenas um momento de dormência; um momento de silêncio que antecede alguma grande descoberta.
Gostaria de poder segurar a minha mão esquerda sem a ajuda da direita, voar sem precisar de asas, ter controle absoluto da gravidade. Não tenho o desejo de comer a Lua – que mais parece um queijo gigante congelado – ou de pisar forte no chão para que ele afunde. Desejo não desejar que laranjas sejam laranjas, afinal, são sempre limões.

sábado, 15 de setembro de 2007

Trivial

"Sabe Hannah, eu tenho uma pinta no meu braço e isso me incomoda."

Brena

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Talvez o mundo seja só egoísmo.

Talvez amamos as pessoas apenas pelas sensações que elas nos causam.

Talvez o que importa não é compreender, mas ser compreendido.

Talvez eu esteja tão mergulhada em minha própria bexiga a ponto de acreditar que sou diferente.

Doce ilusão a de me recompor com areia do deserto.

domingo, 9 de setembro de 2007

Querida, querida, querida... Não sei nadar, como pôde me empurrar para o fundo do oceano?

Agora a tua solidão e mão direita cultivam flores em um pequeno jardim; isso é lindo – lindo como estrume.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Confesso que só consigo escrever algo quando estou vivenciando extremos. Seja um momento de intensa ansiedade ou solidão; alegria ou esperança. O meio-termo que invadiu a minha vida recentemente me trava, me deixa sem graça por completo. Ando olhando para o chão, chuto todas as pedras que encontro pelo caminho. Aguço meus sentidos na tentativa de captar algo da poeira, do vento, do cachorro que cambaleia como um bêbado em busca de comida, mas não entendo nada. Tudo é absorvido e não consigo receber nenhuma explicação.

Nessas horas não adianta escutar Biquini de Bolinha nem Vivaldi. As palavras simplesmente somem, correm com medo da minha avidez por significados.

domingo, 2 de setembro de 2007

Quando não é mais possível escutar o barulho da chuva nem sentir o calor vindo da lareira, mergulhar no gelo é inevitável. Lembra-se dos objetivos não alcançados, dos amores mal vividos, das palavras que agiram como facas. O que nos equilibra verdadeiramente? As sensações de vitória e fracasso realmente precisam coexistir? Se a vida já está desenhada, nada mais é que um paradoxo morto.

Não sei ao certo se me iludi com os traços minuciosos e variados, mas para mim a vida é viva; um paradoxo bem vivo.